Os utilizadores de bicicleta em meio urbano lamentam que o Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária (PENSE 2020) mantenha “uma visão centrada na dependência automóvel” e contestam que defenda a obrigatoriedade do uso do capacete.

No próximo domingo, dia 8, o Terreiro do Paço, em Lisboa, é o ponto de encontro da manifestação que pretende juntar utilizadores de bicicleta em protesto contra algumas das medidas presentes no novo Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária (PENSE2020), que se encontra em consulta pública até ao próximo dia 8 de Janeiro.

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andar_bicicleta_cidadeO protesto organizado pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) é “uma tomada de posição”, frisa José Manuel Caetano, explicando que a ideia é “alertar” para a preocupação em relação a “algumas alterações que venham a ser tomadas pelo governo e que podem restringir o uso da bicicleta”

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) emitiu um comunicado em que afirma que é “contra a obrigatoriedade do uso do capacete dado que constitui um evidente desincentivo ao uso da bicicleta para curtas deslocações e a baixa velocidade”.

Considera-se que os utilizadores de bicicleta devem poder optar livremente e em consciência em função do percurso e da sua própria perceção do perigo, quanto à necessidade ou não do uso do capacete”, lê-se no documento.

Referindo-se ao “considerável investimento” de alguns municípios para a promoção dos Sistemas de Bicicleta de Uso Partilhado, a Federação frisa que “uma eventual obrigatoriedade de uso do capacete ou outros equipamentos de protecção não é exequível na utilização dos sistemas de bicicleta partilhados”.

Aquela Federação considera, também, que o PENSE 2020 “contém medidas incoerentes e incongruentes” na perspetiva da sustentabilidade das cidades, porque “demonstra desinteresse pelas medidas de intervenção ao nível do desenho e adaptação do espaço urbano”.

Além disso, “marginaliza um meio de transporte não poluente com vantagens evidentes para a saúde pública” e “contribui para uma visão excessivamente centrada no automóvel”.

A FPCUB considera que, em alternativa à proposta do actual governo, deve ser desenvolvido um programa nacional de educação rodoviária. “As autoridades devem intervir para educar”, diz José Manuel Caetano, que salienta também que numa era em que “o automóvel é cada vez mais uma coisa do passado” deve ser privilegiada “uma maior utilização dos transportes públicos”, bem como a promoção de outros modos activos como o “uso da bicicleta”.

Por tudo isso, a FPCUB vai associar o evento anual “Inicie o ano a pedalar”, que se realiza domingo, em Lisboa, à “defesa da promoção da bicicleta e seus utilizadores”.



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