Depois de sucessivos escândalos de doping que mancharam a imagem da modalidade durante os últimos anos, o ciclismo voltou agora a ser abalado por uma nova polémica: o doping mecânico ou tecnológico. Em Janeiro de 2016, a UCI confirmou oficialmente o 1º caso de doping mecânico, utilizado por uma atleta Belga no campeonato mundial de ciclocrosse.

DOPING-MECANICO

O programa “60 Minutos” revela sobre um novo doping mecânico e como os ímanes estão a ser usados para “reinventar” a roda.

A fraude no ciclismo atingiu um novo nível “alucinante”, diz Bill Whitaker do “60 Minutos”. Há evidências de que alguns atletas profissionais usam bicicletas equipadas com pequenos motores, escondidos durante as provas, uma prática conhecida como “doping mecânico”.

Whitaker e a equipa do “60 Minutos” foram a Budapeste para conhecer Istvan Varjas, o engenheiro que diz que inventou um pequeno motor de bicicleta, que afirma ter sido que foi usado sub-repticiamente no Tour de France.

Varjas desenvolveu, mais recentemente, uma nova tecnologia de doping mecânico – uma roda eletromagnética. (Assista o vídeo, para perceber como funciona).

A equipa do “60 minutos” encontrou-se com o engenheiro num loja de bicicletas em Budapeste, onde mostrou aos produtores as suas invenções e permitiu que as câmeras filmassem suas bicicletas em movimento.

“Eu não acreditei antes de vê-lo ou ouvi-lo, mas estou totalmente convencido”, diz Whitaker. “É de facto impossível detectar isto, pelo menos pela visão ou pelo som”.

Motor Escondido
De acordo com o design de Varjas, um pequeno motor a bateria está escondido dentro da estrutura da bicicleta e conectado à pedaleira. Quando o motor está desligado, o atleta pode pedalar a bicicleta normalmente. Quando o motor é ativado, faz girar a pedivela, fazendo com que os pedais andem sozinhos.

Pequeno motor alimentado por bateria, que pode ser encondido dentro do quadro da bicicleta. / Foto: CBS NEWS
Pequeno motor alimentado por bateria, que pode ser encondido dentro do quadro da bicicleta. / Foto: CBS NEWS

Varjas diz que o motor pode ser ativado de várias maneiras: o atleta pode ativar um interruptor secreto no guiador, um cúmplice pode ativar o sistema por controlo remoto sem fios ou o monitor de frequência cardíaca usado pelo atleta pode ser programado para ativar automaticamente o motor quando a frequência cardíaca do piloto aumenta para um certo nível.

Roda Electromagnética
Agora, Varjas está a desenvolver o que pode vir a ser próxima geração de tecnologia fraudulenta, usando ímanes para, literalmente, reinventar a roda. Ele mostrou ao “60 Minutos” um modelo da sua invenção mais recente, que usa pequenos ímans escondidos dentro do aro da roda traseira. Não existindo a necessidade de utilizar nenhum motor.

Íman a ser colocado dentro de uma roda. / Foto: CBS NEWS
Íman a ser colocado dentro de uma roda. / Foto: CBS NEWS

Varjas diz que uma bateria e bobinas electromagnéticas também são colocadas na roda. Quando o sistema é ligado, as bobinas electromagnéticas criam um campo magnético, que impulsiona os ímanes para a frente, girando a roda mais rapidamente. Varjas diz que o sistema é silencioso e indetectável mesmo para o atleta.

Apesar de todos os esforços usados, pelas entidades competentes, para denunciar estas manobras fraudulentas, sempre que um sistema fraudulento é descoberto e ultimado outro novo aparece.