A Novo Nordisk, conta com uma equipa profissional de ciclismo composta por 18 ciclistas de 10 países diferentes. Tem tido resultados muito animadores e só este ano vão participar em 500 provas.
Esta semana estreiam-se em Portugal para correr a Volta ao Algarve em Bicicleta, que arranca na próxima quarta-feira. Um pormenor sobre estes ciclistas: são todos portadores de diabetes.
Há quatro anos atrás, o irlandês Stephen Clancy com 19 anos, recebeu a notícia que tinha diabetes tipo 1, o que significa que terá de receber insulina todos os dias, durante toda a vida. Uma enfermeira explicou-lhe que não poderia ser polícia, nem piloto de aviação comercial, nem militar. «Posso fazer ciclismo», perguntou. O rapaz tinha acabado de ganhar o prémio de revelação nacional no desporto e assinara com a melhor equipa da Irlanda, os Speedyspokes. «Lamento, mas a diabetes não é compatível com desporto de alta competição.»
Agora, juntamente com mais cem atletas do ciclismo, triathlon e atletismo faz parte da equipa Novo Nordisk, composta por atletas com diabetes. Esta equipa mundial de desportistas é encabeçada pela primeira equipa profissional de ciclismo do mundo a ser integralmente formada por ciclistas com diabetes.
A diferença é que, nesta equipa, o dia começa com medições de glucose e injeções de insulina. De 17 a 21 de fevereiro, alguns destes ciclistas estarão pela primeira vez em Portugal, a correr a Volta ao Algarve. «O nosso objetivo é irmo-nos preparando em provas com níveis de dificuldade cada vez maior para, em 2021, podermos correr o Tour de France», diz Phil Southerland, fundador da equipa. A data não é inocente – é o centenário da descoberta da insulina. «E o caminho que estamos a trilhar é verdadeiramente animador», diz ele. Para já contam com meia dúzia de pódios em competições médias e uma vitória no Tour das Filipinas. «Em 2014 estávamos em 83º lugar no ranking da Federação Internacional de Ciclismo, agora estamos na posição 66. Isto em competição direta com mais de duas centenas de equipas profissionais.»
A ideia de criar uma equipa de ciclistas com diabetes nasceu quando Phil, um norte-americano do estado da Geórgia, estudava na faculdade. «Eu sempre fui um miúdo que adorava comer chocolates. E percebi que, se andasse duas horas de bicicleta, já não precisava de tomar insulina três horas antes de uma guloseima.» No ensino superior conheceu outro colega que, como ele, tinha diabetes tipo 1. Decidiram formar uma parceria para combater o estigma, e fizeram-no pondo-se em cima de um par de bicicletas e começando a pedalar. «Fizemos várias competições de uma costa à outra dos Estados Unidos. No primeiro ano, 2006, tínhamos duzentos dólares na carteira, juntámos mais seis amigos e os outros olhavam-nos com simpatia e alguma pena. No segundo ano ganhámos. E voltámos a fazê-lo em 2009 e 2010.» Lá por terem uma doença não precisavam de ser menos do que os outros.
“Somos mais que uma equipa de ciclismo. Não corremos para vencer, mas para mudar a vida das pessoas. É mais do que especial saber que temos um impacto positivo em milhões de diabéticos. Saber que o que fazemos é tão significante, e por uma causa à qual estamos tão ligados de corpo e alma, faz-nos sentir parte de um dream team”, conta Stephen Clancy.
A doença é muitas vezes apelidada de epidemia. Em todo o mundo, há 387 milhões de pessoas com diabetes e as estimativas apontam para 642 milhões em 2040. A doença provoca cinco milhões de mortes anuais e movimenta 500 mil milhões de euros. «Quando alguém é diagnosticado com diabetes aprende imediatamente duas coisas», diz Rafael Castol, o médico da equipa. «Que vai ter uma vida cheia de limitações e que a sua esperança de vida vai reduzir-se brutalmente. Mas isso não precisa de ser obrigatoriamente assim.»
Chris Williams é um bom exemplo disso. Australiano, tem 34 anos e só descobriu que tinha diabetes tipo 1 aos 27, quando colapsou no final de uma corrida de triatlo. «Nunca aceitei que teria de deixar uma vida atlética», conta agora. Foi medicado, começou a sentir-se melhor e integrou-se numa equipa profissional de ciclismo. «Mas eu era a única pessoa com diabetes, injetava-me às escondidas. Aliás, nunca tinha sequer ouvido falar de atletas que tivessem a minha doença, achei que estava sozinho, a desafiar as probabilidades.» Afinal não estava. Agora, em estágio, todos os atletas vivem vidas semelhantes. «É engraçado, acordamos e vamos todos tomar insulina.» Daí a nada saem para a estrada, apenas duas horas para manter o ritmo. «Levamos todos os medidores de glucose e, se for preciso, injetamo-nos em andamento. E sabes que mais? Isso é perfeitamente normal.»
Em 2014, alcançaram algumas marcas importantes. Em 21 ocasiões, terminaram as provas entre as dez primeiras posições e conseguiram 8 pódios. Na temporada de 2015, já participaram nas principais competições Sul-Americanas, nos Estados Unidos, Europa e Ásia.
Sem dúvida, uma grande inspiração para os diagnosticados com a doença.




















Sou diabético desde os meus 2 anos de idade, iniciei-me no desporto federado aos 5 (andebol), mas sempre andei por outras vertentes individuais, nomeadamente o btt e NUNCA, friso, NUNCA fiquei para trás por isso… as limitações somos nós que as impomos!!!
Hugo Rodrigues