De todas as estradas de Portugal há uma muito especial e com uma mística que a distingue de todas as outras, e à qual foi dado o nome de Estrada Nacional nº2. Foi projetada como ligação entre Chaves e Faro num percurso pela espinha dorsal do país sendo a estrada nacional mais extensa de Portugal e a única que o atravessa de lés a lés.

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Quem anda regularmente de bicicleta, não o faz só pelo desporto mas também pela aventura e pelos desafios que as duas rodas a pedal proporcionam. Numa demanda incessante por novas aventuras, caminhos e trilhos existe cada vez mais adeptos das pedaladas de longa distância. Assim, deixamos aqui um pequeno artigo sobre a Estrada Nacional 2 ou EN2, que se está a tornar num percurso frequente dos ciclistas.

As primeiras informações que existem sobre o troço da EN2 referem que muitos segmentos já eram as principais vias romanas que atravessavam a Lusitânia. Com o passar do tempo, as principais vias foram sendo melhoradas e ligadas umas às outras e até ao final do séc. XIX, tornando-se em Estrada Real. Em 1884 era a Estrada Distrital nº 128 e o seu percurso ia de Faro a Castro Verde, em 1910, com a implantação da república a estrada chega a Beja e ganha o título de Estrada Nacional nº 17 e posteriormente tornou-se a Estrada Nacional nº 19-1ª.

Um dos grandes projectos do Estado Novo era a criação de uma estrada que ligasse o país de lés a lés pelo centro, e a partir de 1930 começaram a ser alcatroados os troços de pedra e de terra e construídas as ligações necessárias, até que em 1945 é classificada a Estrada Nacional nº 2 através do Decreto Lei 34:593 de 11 de Maio de 1945. O troço que liga Almodôvar a São Brás de Alportel foi, em 2003, classificado como Estrada Património devido ao riquíssimo património que a envolve, fazendo parte da primeira edição em livro das estradas património em Portugal, lançado pelas Infraestruturas de Portugal.

Mapa com o trajecto na EN2

A Estrada Nacional nº 2 atravessa Portugal de Norte a Sul e é a estrada de maior extensão do país, tendo o seu início em Chaves (Km 0) e terminando em Faro (Km 738,5), passando por onze distritos – Vila Real, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Évora, Setúbal, Beja e Faro.

A estrada nacional nº 2 é a estrada histórica mais longa da Europa e a terceira maior do mundo depois da “Route 66” nos EUA e da “Ruta 40” na Argentina.

A EN2 oferece uma viagem por montes e vales perdidos do interior dum país esquecido pelo progresso e pelas auto estradas ou itinerários principais. Paisagens de cortar a respiração num percurso carregado de séculos de existência e tradição que é também um roteiro da rica gastronomia do interior do nosso país desde Trás os Montes ao Algarve passando pelas Beiras e Alentejo.

Todos os 33 municípios que integram a rota da EN2 têm algo único que os distingue. Monumentos, locais de interesse histórico, paisagens naturais, termas… – é sem dúvida uma viagem para fazer muitas paragens e lhe dedicar o tempo que ela merece. A nível de alojamento, é fácil encontrar hotéis ou casas de pasto com dormidas.

Ao percorrer a EN2, vai reparar que os marcos nas bermas indicam o nome da estrada e o quilómetro onde se encontra longo da maioria do trajecto. Isto torna fácil deixar-se guiar e desfrutar sobre rodas de uma estrada única sem ter de recorrer ao GPS. Ainda assim é necessário alguma atenção à rota, pois actualmente cruza com alguns itinerários principais, nomeadamente na zona centro do país onde o antigo percurso da Estrada EN2 coincide com o traçado do actual IP3.

Placa em Faro indica a distância até Chaves

Quando ir e quanto tempo para percorrer a EN2?

Portugal é um país de clima ameno e proporciona andar de bicicleta quase o ano inteiro. É um facto que durante o Inverno os dias são mais curtos e o frio que se faz sentir poderá tornar a viagem menos agradável. Por sua vez, durante o Verão, o calor extremo em diversos pontos do país poderá tornar a viagem mais desgastante. Assim, a Primavera e o Outono tornam-se as preferidas para este percurso de longa distância. É também nestas épocas que o espectáculo de cores que a natureza nos oferece tornam qualquer lugar com um brilho especial e distinto.

Em relação ao tempo necessário para fazer estes 738 quilómetros que ligam Portugal de lés a lés, depende maioritariamente da disponibilidade – e das pernas – de cada um, pois é um percurso que em bicicleta tanto já foi feito em pouco mais de um dia como em cinco, seis, dez dias… com muitas paragens à mistura. Ao contrário por exemplo do “Camino de Santiago – Português”, esta é uma rota percorrida sempre em estrada e isso faz com que seja um percurso rolante e dessa forma não tão desgastante.

Esta, é uma aventura que pode ser feita por qualquer ciclista. É aconselhado um mínimo de preparação física e acima de tudo muita determinação, ainda que, este seja um roteiro com passagem por muitos municípios e que permite muitas paragens. Desta forma não há desculpas para dizer que não são capazes!

Agora gostaríamos de saber quem já fez este percurso e qual o vosso feedback!